Historial

Os primeiros anos

Tudo começou quando, em Dezembro de 1978, um grupo de estudantes do então recém-criado Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS-UP), em longas noites passadas entre as paredes da sua nova casa, durante as quais o estudo se entrelaçava harmoniosamente com alegres conversas, imaginou a criação de um grupo académico que, imbuído de um verdadeiro espírito de camaradagem, permitisse conjugar a vivência de bons momentos com o prazer de cantar e de difundir a cultura portuense e não só. Fundava-se assim o Coral de Biomédicas, um grupo que veria ao longo dos anos a sua história confundir-se com a do próprio Instituto que o viu nascer.

Era necessário encontrar alguém que pudesse introduzir o elemento musical nesta ideia. Surgiu então o Maestro José Ferreira Lobo, à altura também ele estudante da Universidade do Porto. Nesses derradeiros anos da década de 70, o Coral de Biomédicas contou ainda com a participação em diversas ocasiões de elementos do Coral de Letras que, à data, contava já alguns anos de existência, integrando estudantes de vários cursos da Universidade do Porto.

Durante esses primeiros anos, colhendo a matriz do universo único das músicas tradicionais portuguesas, foi progressivamente constituído um repertório que viria a ser apresentado em inúmeras actuações no Porto e noutros pontos do País, havendo também, já nessa altura, espaço para a participação em diversas iniciativas culturais. Destacam-se, neste período, as actuações nos Paços do Concelho em honra de Sua Ex.ª o Presidente da República Popular da China (18 de Novembro de 1984) e de Sua Majestade a Rainha Isabel II (29 de Março de 1985), aquando das suas visitas à cidade do Porto.

Teste

Hiato e um novo começo…

Em 1986 a continuidade perdeu-se na renovação dos elementos que integravam o Coral e a promissora actividade deste grupo viu-se precocemente encerrada. Porém, em 1994, surgiu um movimento, novamente com base em estudantes, que iniciou um árduo caminho com vista a fazer renascer o Coral de Biomédicas. A luta continuou pelo objectivo de assegurar a sua sobrevivência e sustentabilidade, causa que encontrou, em boa hora, apoios importantes no seio da estrutura directiva do ICBAS e nomeadamente em personalidades fundamentais da história do mesmo, como o Prof. Doutor Nuno Grande. Além de assegurar a base – os estudantes – e as estruturas de apoio, era ainda imperativo para o renascimento do grupo encontrar um novo Maestro que lhe devolvesse um dos motivos essenciais da sua existência: a Música. O cargo foi assumido pelo Maestro António Sérgio Ferreira que ficaria também encarregue da Direcção Artística.

De 1994 ao presente…

A obtenção de importantes apoios institucionais foi um dos passos fundamentais para o significativo crescimento do Coral do ICBAS (CICBAS) a que se assistiu desde 1994. Além de representar orgulhosamente o Porto e o academismo portuense na própria cidade e um pouco por todo o país, durante este período o Coral adquiriu uma dimensão internacional, em larga medida graças às digressões que com uma frequência quase anual foram sendo realizadas. A primeira teve como destino França, em Abril de 1998, à qual se seguiram: Espanha (Setembro de 1998); Tailândia, a convite da Universidade de Burapha – na mesma digressão ocorreu ainda uma visita a Hong Kong e Macau, onde o Coral permaneceu até ao último dia em que o território esteve sob administração portuguesa (19 de Dezembro de 1999); Alemanha (Março de 2002); Itália (Abril de 2003); Inglaterra (Março 2005); Letónia e Lituânia (Abril de 2006); Eslovénia e Croácia (Agosto de 2007); Sul de França (Abril de 2009).

Sempre sob a direcção do Maestro António Sérgio Ferreira, este período tem sido marcado também por concertos de grande impacto realizados na cidade, actuações importantes em diversos pontos do país e ainda algumas iniciativas culturais próprias. Entre as actuações nas quais o CICBAS surgia como convidado, destacam-se:

  • A actuação perante Sua Excelência o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, em Abril de 2001, por ocasião de mais uma edição dos prémios Bial;
  • O concerto perante Sua Santidade o Dalai-Lama, em Novembro de 2001, aquando da sua visita a Portugal para participar no “Encontro Nacional de Jovens Voluntários e Líderes Associativos Portugueses com Sua Santidade o XIV Dalai Lama”.
  • A interpretação da obra de Carl Orff Carmina Burana a convite da Orquestra Nacional do Porto, em conjunto com o Círculo Portuense de Ópera e o Coral Lisboa Cantat, em Janeiro de 2002 no Coliseu do Porto;
  • Em Junho de 2005, participou no concerto da comemoração do 196º aniversário do Dia do Comando do Quartel-general da  Região Militar do Norte (RMN) que ocorreu na Casa da Música;
  • A participação anual no Encontro de Coros Académicos do Porto (ECAP), organizado pela Academia no início da semana da Queima das Fitas.

Entre os eventos realizados por iniciativa do CICBAS, devem referir-se:

  • Os Concertos Itinerantes, uma iniciativa efectuada em conjunto com o Ministério da Cultura e que pretendia levar a música a regiões culturalmente mais carenciadas do país. Assim como concertos em parceria com o mesmo Ministério e a Junta da Galiza.
  • As Comemorações do XXº aniversário da sua fundação (1999). Neste âmbito o CICBAS realizou o I Encontro Internacional de Coros. Destaca-se ainda o Concerto da Orquestra Nacional do Porto em Honra do Coral do ICBAS. Participou pela primeira vez no programa televisivo “Praça da Alegria” da RTP. Actuou no Concerto do XXº Aniversário no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, onde interpretou, pela primeira vez, a peça “Missa Crioula” de Ariel Ramirez, acompanhado por uma Orquestra de Câmara e pelo Tenor Solista Rui Taveira;
  • Concertos do Encontro Internacional de Coros do Porto, organizado pelo CICBAS e que teve 4 edições, a última das quais em 2003. Durante o ano de 2003, o CICBAS desenvolveu um projecto musical que reuniu alguns dos melhores arranjos para Coro e Trio de Jazz (piano, baixo e bateria) de obras universais de compositores Americanos de renome, como Cole Porter ou George Gershwin.

O enorme sucesso deste projecto levou a Direcção Artística do CICBAS a optar pela música Norte-americana como grande aposta para 2004, o ano em que o CICBAS comemoraria o seu XXV aniversário. As comemorações iniciaram-se em Maio com um novo concerto da “Missa Crioula” de Ariel Ramirez, com uma Orquestra de Câmara, um solista tenor e o grupo de dança da Academia de Vilar Paraíso, e culminaram em Dezembro com um Concerto Gala, no Rivoli -Teatro Municipal intitulado O Melhor da Broadway em concerto. Neste projecto o Coral do ICBAS interpretou uma série de excertos de alguns dos musicais mais famosos da Broadway, tais como: “A Bela e o Monstro”, “West Side Story”, “ Les Misérables” e “Cats”. O coro composto por cerca de 80 elementos (Coral do ICBAS, incluindo ex-coralistas), fez-se acompanhar por uma Orquestra de Câmara constituída por 8 elementos e por 3 solistas, sob a direcção do Maestro António Sérgio Ferreira. O culminar deste projecto ocorreu com a gravação de um CD.

Gravação do CD: "O melhor da Boradway"

O CICBAS terminou o ano com a organização de um concerto de encerramento, onde interpretou pela primeira vez, e numa versão ensemble, a obra “Missa das Crianças” do compositor contemporâneo inglês, John Rutter, na Igreja da Trindade. Este concerto contou, igualmente, com a participação de dois coros convidados, os coros de crianças e adultos do CPO (Círculo Portuense de Ópera).

Em Dezembro de 2006, o CICBAS iniciou uma colaboração muito produtiva com a Casa da Música do Porto, interpretando novamente a “Missa das Crianças” de John Rutter e mais uma vez acompanhados pelos coros de crianças e adultos do CPO. As novidades, além do local do concerto, foram a colaboração da Orquestra da ARTAVE e os dois novos solistas: a Soprano Ângela Alves – que desempenha também as funções de Preparadora Vocal do Coral – e o Barítono José Corvêlo.

O ano de 2007 trouxe um novo repertório que desta vez incidia sobre o universo musical da América do Sul. Com a inclusão de músicas como “Guantanamera”, “Verano Porteño” de Astor Piazzolla ou “Corcovado” de Tom Jobim, e com nova interpretação da “Missa Crioula” de Ariel Ramirez, o CICBAS teve, em Maio na Casa da Música, mais um grande momento da sua História.

Ensaio para a Missa Crioula

No ano 2008 mais duas actuações teriam lugar na Casa da Música. A primeira, em Maio, surgia integrada no Concerto Promenade, uma parceria de produção entre o CICBAS, Casa da Música e Universidade do Porto. Este concerto contou com a presença do Coral de Biomédicas, do Coro Clássico do Orfeão Universitário do Porto, Choral Aeminium e Orquestra Nacional do Porto. Neste concerto foram apresentadas árias e coros de Óperas famosas, tais como: Nabucco e La Traviata de Giuseppe Verdi ou Candide de Leonard Bernstein. Além do Coro e Orquestra, há a destacar ainda a presença de quatro solistas: Patrícia Quinta (mezzo-soprano), Ângela Alves (soprano, preparadora vocal do CICBAS), Mário Alves (tenor) e Luís Rodrigues (Barítono). Este concerto foi realizado sob a direcção do Maestro Rui Massena.

O Tango dominou o segundo semestre de 2008. A obra principal – a “Misa Tango” de Luis Bacalov – foi apresentada numa série de quatro actuações que tiveram lugar no início de Dezembro (três destas em noites consecutivas) em quatro locais distintos – Oliveira de Azeméis, Alpendurada, Casa da Música e Universidade de Aveiro –, que resultaram da colaboração entre o CICBAS e a Orquestra das Beiras, contando ainda com a participação de um bandoneonista argentino, de dois solistas (uma soprano e um barítono) e do Coro de São Tarcísio. Na primeira parte dos concertos eram interpretadas as “Cuatro Estaciones Porteñas” de Astor Piazzolla.

Ensaio para Misa Tango

Em 2009 o Coral de Biomédicas, o mais antigo grupo académico desta casa, comemorou o 30º aniversário da sua fundação. As celebrações iniciaram-se em Junho, no reencontro de antigos membros fundadores do Coral, que se realizou no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, brindado com mais uma actuação recheada de memórias e saudade. Estas culminaram em Dezembro, com a apresentação do novo repertório Jazz, que englobava temas celebrizados por Louis Armstrong, Manathan Transfer, Billie Holliday e Diana Krall, no auditório da Fundação Eng.º António Almeida. Porém, o momento mais marcante do 30º Aniversário foi a Gala 30 Anos do Coral do ICBAS, realizada a 12 de Dezembro de 2009, na qual se juntaram, para além de todos os membros do Coral, personalidades insubstituíveis como o Prof. Dr. Nuno Grande, o Dr. Luís Portela (BIAL) e a Prof. Dra. Corália Vicente.

Durante a sua História, foi com enorme orgulho que o Coral sempre cultivou os valores mais essenciais que assistiram à fundação do ICBAS e que encontram a sua reprodução mais famosa na frase de José de Letamendí – citada mais tarde por Abel Salazar – “O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe”.

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